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Ivani Ferreira é professora e blogueira . Possui graduação em Letras pela Faculdade Asa de Brumadinho (2006), Normal Superior pela Universidade Federal de Montes Claros(2005), especialização em Psicopedagogia pela Universidade Federal Castelo Branco (2007), Supervisão Pedagógica pela FINON (2008). Professora efetiva na rede Municipal de Brumadinho desde 2005, porém, atua na rede municipal com turmas da Educação Infantil , Ensino Fundamental 1 e 2 , desde o ano de 2002. Trabalhou como supervisora pedagógica na Escola Municipal Leon Renault- Brumadinho/MG (2013- 2016). Atualmente trabalha como professora da Educação Infantil na EMEI Nair das Graças Prado em Brumadinho/MG. Sejam bem vindos(as)!!!

sábado, 14 de novembro de 2015

PROTAGONISMO E PARTICIPAÇÃO INFANTIL

1  INTRODUÇÃO

Objetiva-se com este trabalho realizar uma pesquisa bibliográfica teórico-conceitual que embase a discussão sobre os aspectos da prática com criança de 3 a 5 anos.
Primeiramente foi realizada a leitura do texto proposto e a apreciação do vídeo, seguida de uma pesquisa complementar na internet e em livros para elaboração da presente produção textual.

2  DESENVOLVIMENTO

A partir do momento em que a criança passou a ser aceita socialmente como um sujeito de direito, passou a ter o reconhecimento formal de direitos e também as condições do seu exercício através de uma plena participação e de um real protagonismo.
Na concepção de Sarmento a criança é um cidadão pequeno, mas, nem por isso menor. Ele reconhece a criança como um ator social, pleno e integrado à sociedade e, acima de tudo, produtor de cultura. Neste sentido, a escola precisa se estruturar de forma a dar condições desse ator social se formar, crescer e participar das interações sociais.
Para Sarmento os educadores somente serão capazes de cumprir seu papel se estiverem atentos às necessidades dos alunos e da comunidade e aproveitarem as oportunidades dadas pela realidade dos pequenos e da escola, considerando inclusive o que é imprevisível. Para educar, é preciso aproveitar não só os recursos pedagógicos existentes como também as dinâmicas sociais geradas em cada contexto. 
Ouvir a criança passa a ser para Sarmento a base de todo trabalho pedagógico, pois, as crianças dizem muito sobre a sociedade. É importante considerar que eles não se comunicam usando só a linguagem verbal, mas também se valendo de representações e desenhos que revelam coisas absolutamente extraordinárias. Eles dão informações muito consistentes sobre a reprodução do mundo e da vida. As crianças têm, porventura, maior plasticidade que os adultos quando se trata de interpretação cultural e de compreender o outro. No entanto, isso não significa que elas sejam incapazes de excluí-lo ou recusá-lo ou ainda de expressarem afirmações racistas e até mesmo bastante violentas.
Junqueira fala de um protagonismo compartilhado, onde crianças e adultos (alunos e professores) compartilhem o protagonismos, ou seja, ambos se relacionem mostrando o que pensam sobre o conhecimento e seu entorno. Junqueira destaca ainda que geralmente na escola, principalmente na Educação Infantil, o protagonista é sempre o professor devido a sua estreita relação com o conhecimento.
As crianças têm um jeito singular de ser no mundo, o jeito delas de ser protagonistas e não precisam mudar este jeito para atender ao conceito de protagonismo que o adulto espera deles. Junqueira destaca que tanto o aluno quanto o professor pode exercer seu protagonismo sem anular um ao outro e é este o caminho que ele coloca para as práticas pedagógicas. Neste contexto, o olhar das crianças é que devem orientar os projetos de trabalho dos professores. Pois, existem infinitas possibilidades de expressão do ser humano em sua primeira idade.
Deve-se considerar o papel de protagonista da criança em sua educação, proporcionando controle sobre os direcionamentos da aprendizagem e valorização de sua linguagem pela maneira singular que cada criança tem para se expressar.
O conceito de protagonismo infantil envolve uma concepção da criança como ator social, tanto em suas próprias vidas como na sociedade. É um conceito que entende a criança como pessoas com direitos, capacidades e valores próprios, participantes de seu processo de crescimento e desenvolvimento.
Por isso, o protagonismo, definitivamente, não é só uma proposta conceitual, senão que possui de modo inerente um caráter político, social, cultural, ético, espiritual, que, portanto, reclama uma pedagogia e convida a repropor o ‘status’ social da infância e do adulto, de seus papéis na sociedade local e no conceito dos povos. (SARMENTO, SOARES E TOMÁS,2015).


Conforme afirmou Junqueira o protagonismo significa assumir responsabilidades, contribuir e construir conjuntamente, em tal sentido o considera como ponto de união, de encontro, não compatível com nenhuma forma de separação ou dispersão. Implica interação e interrelação com o seu ambiente, com os outros. Não é um eu protagonista, é um nós; o protagonismo, como tal, tem que ser fecundo no desenvolvimento do protagonismo dos outros.
A construção pedagógica das escolas que incentivam a participação juvenil deve-se concretizar dentro de uma perspectiva sócio construtivista onde o conhecimento se constrói através da ação do sujeito, se constrói no contexto, junto com a inovação social e com a cultura do grupo, crianças aprendem pelas experiências e nas experiências da ação e do fazer.
Desta forma, compreender a criança protagonista remete-nos a entendê-la como sujeito ativo e produtora de cultura. A Educação Infantil é um espaço de criação das culturas infantis, a criança é protagonista nesse sistema de relações e trocas com os demais sujeitos, que as possibilita viver experiências ricas e diversificadas em interação com a realidade social, cultural e natural (SAROBA, 2014).
O professor deve ter dentro outras ações, um cuidado com o espaço, com ambiente escolar, considerando seu importante papel de propiciar a interação das crianças com várias situações e pessoas. Para tanto as crianças devem ser estimuladas a tocar, sentir, fazer, se relacionar e explorar o que está a sua volta, para conhecerem a si mesmas e ao mundo no qual estão inseridas.
A relação entre as crianças e os vários ambientes deve ser sempre estimulada, buscando favorecer novas experiências para as crianças, desde a visita a cozinha, a sala de arte, sugerindo a não-divisão dos potenciais educativos. A estrutura física da escola deve ser pensada na busca de um ambiente educativo e lúdico, fazendo com que o espaço seja considerado “um terceiro professor”
Uma educação com o pressuposto do protagonismo infantil, deve considerar que as crianças é que orientam os rumos da sua aprendizagem, não são sujeitos passivos que aprendem, mas, atores do seu processo de aprendizagem. Nesse processo, a criança argumenta e se expressa, o que produz com suas mãos, como brinca, como debate idéias, como sua investigação funciona.  O professor participa do trabalho das crianças, mas não se coloca de forma frontal e sim como construtor do percurso construído, numa direção compartilhada  e solidária com as crianças.
Saroba (2014, pag. 1) entende que,
a Educação Infantil se constitui em um importante espaço de interações e trocas entre os protagonistas que integram nesse espaço. A criança, por sua vez, sendo um dos protagonistas, deve ter garantido o seu espaço de participação. Contudo, necessita viver experiências na escola, as quais possam expressar suas potencialidades, desenvolvimento, e construir conhecimento através de trocas construídas nas relações com os adultos com as outras crianças e o ambiente a que se insere.

O professor deve ter a imagem da criança como alguém potente, forte, poderosa, capaz de construir estratégias de aprendizagem, atenta à sua atualidade, que toma decisões e que, na interação com o outro, constrói conhecimento.
O professor deve considerar o espaço como um instrumento de estímulo para as crianças, transmitindo segurança e sensação de acolhimento, respeitando a faixa etária e o seu desenvolvimento. A relação entre as crianças e os vários ambientes deve ser sempre estimulada, buscando favorecer novas experiências. A estrutura física da escola deve ser pensada na busca de um ambiente educativo e lúdico.
A escola deve ser entendida não apenas na finalidade de ensinar as crianças conteúdos escolares as crianças, mas levá-las a descobrirem o mundo, a entender como a comunicação melhora a autonomia do individuo e de sua relação com o grupo. Para tanto, faz-se necessário valorizar o potencial que o diálogo, o debate têm para repensar seus modos de agir e de comunicar suas experiências.
A educação não é neutra, ela tanto produz quanto transforma a realidade, é através deve que o professor e os demais profissionais fazem nascer uma proposta de educação infantil numa concepção de criança portadora de história, capaz de múltiplas relações, construtora de culturas infantis, sujeitos de direitos.
A criança é entendida como protagonista deve ser vista como ativa, inventiva, capaz de explorar, curiosa, exprimindo-se nas suas diferentes 100 linguagens, ou seja, a criança deve ser o centro da proposta educativa. Por isso, a importância fazerem as crianças se sentirem reconhecidas como sujeitos de direitos individuais, como portadoras e construtoras de suas próprias culturas, participantes ativas da organização de suas identidades, autonomias e competências através das relações com os colegas, com os adultos, com as idéias e imaginários.
O professor deve considerar em sua proposta pedagógica o respeito aos direitos das crianças de realizarem e expandirem suas potencialidades, valorizando-as, dando importância ao afeto, satisfazendo as necessidades de aprendizagens, mais do que transmitir os conhecimentos e habilidades, incentivarem a busca das estratégias de pensar e agir. Olhar para as crianças como: dimensão de valor de uma humanidade.
Os professores devem ter como tarefa prioritária, a escuta e o reconhecimento das múltiplas potencialidades de cada criança, observada e atendida em sua individualidade, apóia a consolidação de pontes entre as diversas descobertas da criança, pela ideia de experimentar, de descobrir o mundo.
A troca de experiências deve ser incentivada entre os alunos, criando espaços que estimule a fala, o debate, onde a participação de todos é encorajada. Ao professor cabe o estímulo, a mediação para que a criança amplie sua percepção e faça conexões que produzam novas leituras, também reforça que independente da experiência adquirida, o conhecimento é um patrimônio de todos.
O professor deve participar do trabalho das crianças, mas não se deve colocar de forma frontal e sim como construtor do percurso construído, numa direção compartilhada e solidária com as crianças.
Outro aspecto importante de uma escola preocupada com o protagonismo infantil é a perspectiva inclusiva e valorização da diversidade. As escolas devem manter uma capacidade de integração com todas as crianças. A postura dos profissionais deve evidenciar outro valor comum a essa experiência educativa: o acolhimento irrestrito das diferenças.









3  CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho nos proporcionou uma reflexão acerca do protagonismo infantil na educação. Pudemos perceber que em todo momento a criança precisa ser vista como protagonista, como alguém capaz de apreender com o meio e ler o mundo utilizando diversas linguagens.
O trabalho fortaleceu nossa concepção sobre o conceito de protagonismo infantil, como um processo onde a criança é valorizada como sujeito ativo, capaz de interpretar o mundo utilizando multiplicas linguagens.
Acreditamos que a proposta de protagonismo compartilhado é muito adequada para a Educação Infantil e que recebendo uma formação como esta as crianças terão melhores condições de se posicionar como cidadãos diante da sociedade, sendo capaz de opinar, expressar ideias e interpretar o mundo que a cerca.




REFERÊNCIAS

NICOLIELO, Bruna. Conheça experiências brasileiras inspiradas em Reggio Emília. Disponível no site http://revistaescola.abril.com.br/creche-pre-escola/conheca-experiencias-brasileiras-inspiradas-reggio-emilia-770428.shtml#ad-image-0 acesso em 02/10/2015.

Reportagem especial: as escolas de educação infantil de Reggio Emília – Itália. Disponível no site https://www.youtube.com/watch?v=4j8mtA_iDss. Acesso em 01/10/2015.

SAROBA, Camila Benatti. A Criança Como Protagonista De Transformação Na Escola: A Educação Empreendedora Em Questão. Revista Primus Vitam Nº 7 – 2º semestre de 2014. Disponível no site < http://mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/CCH/primus_vitam/primus_7/camila.pdf> acesso em 25/10/2015.


JUNQUEIRA, Gabriel. Protagonismo compartilhado. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=45fug0nE7j0. Acesso em 16/10/2015.


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