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Ivani Ferreira é professora e blogueira . Possui graduação em Letras pela Faculdade Asa de Brumadinho (2006), Normal Superior pela Universidade Federal de Montes Claros(2005), especialização em Psicopedagogia pela Universidade Federal Castelo Branco (2007), Supervisão Pedagógica pela FINON (2008). Professora efetiva na rede Municipal de Brumadinho desde 2005, porém, atua na rede municipal com turmas da Educação Infantil , Ensino Fundamental 1 e 2 , desde o ano de 2002. Trabalhou como supervisora pedagógica na Escola Municipal Leon Renault- Brumadinho/MG (2013- 2016). Atualmente trabalha como professora da Educação Infantil na EMEI Nair das Graças Prado em Brumadinho/MG. Sejam bem vindos(as)!!!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

ESCRITA ESPELHADA- Por Eliana Conceição



Escrita espelhada, o que fazer?

Quando as crianças iniciam a escrever suas primeiras palavras ou números, a sensação dos pais é indescritível. É um processo de autonomia, um ritual de passagem evidenciando uma nova etapa na vida da criança... É uma gracinha ver aquelas mãos tão delicadas iniciando seus traçados...
Ao compor suas primeiras escritas elas mostram-se portadoras de inúmeras experiências, desejos, anseios e dinâmicas particulares de aprendizado. Vygotsky (1998) destaca que a escrita tem significado para as crianças, desperta nelas uma necessidade intrínseca e uma tarefa necessária e relevante para a vida.
Entretanto, na medida em que esta escrita avança é comum que elas evidenciem letras ou números espelhados... algumas já estão lá por volta dos 7 anos e ainda mantém esta característica e por que será que fazem isso?

Em primeiro lugar é importante ressaltar que espelhar letras e números é normal, pois a criança está em processo de construção da escrita. Para que ela tenha o entendimento, que nós adultos temos que a escrita inicia da esquerda para a direita (no caso da cultura ocidental), algumas noções anteriores ao papel devem ser bem trabalhadas. A aquisição da escrita é posterior à aquisição da linguagem e posterior a um nível específico de maturidade motora humana.
Conforme Esteban Levin (2002: 161), o ato da escrita em si, não depende somente do ato biológico, mas de toda uma estrutura que provém do sistema nervoso central,
[...] o que escreve é um sujeito-criança, mas, para fazê-lo, necessita de sua mão, de sua orientação espacial (lateralidade), de um ritmo motor (relaxamento-contração), de sua postura (eixo postural), de sua tonicidade muscular (preensão fina e precisa) e de seu reconhecimento no referido ato (função imaginária).
Conforme manual de neurologia infantil, autoria de Diament (2005), a partir dos 7 anos que a criança começa a consolidar a noção de direita e esquerda, bem como encontra-se em fase de maturação de áreas viso espaciais, portanto é perfeitamente normal ainda apresentar algumas trocas na direção de suas escrita, pois estão em processo de aprendizagem, sistematizando suas hipóteses e consolidando noções importantes em aspectos neurobiológicos, porém, alguns alunos espelham palavras e frases inteiras, característica da disgrafia. No entanto, isso não significa que as crianças que espelham letras e números apresentem disgrafia, mas se no final deste ano, após todas as intervenções pedagógicas terem sido realizadas, visando a “escrita correta” das palavras, faz-se necessário uma avaliação mais detalhada.
Dehaene (2012) nos mostra que a capacidade de reconhecer as figuras simétricas faz parte das competências essenciais do sistema visual, porque permite o reconhecimento dos objetos independentemente da sua orientação, por esse motivo que quando uma criança aprende a ler tem que “desaprender” a generalização em espelho para que possa compreender a diferença entre as letras “b” e “d”. A maioria das crianças passa por uma fase de escrita em espelho tendo geralmente ultrapassada esta dificuldade por volta dos oito anos. Entretanto, cabe ressaltar que algumas das crianças que apresentam escrita espelhada são canhotas.
A identificação de uma imagem na sua forma simétrica, confusão esquerdo-direito, também é frequente, no nosso sistema visual (Dehaene 2007).
No entanto, na sala de aula existem professores que consideram “errados” quando os alunos escrevem palavras ou números espelhados, por isso se faz necessário esclarecer que antes de considerar certo ou errado, faz-se necessário realizar atividades que propiciem a lateralidade. Com certeza, no processo de alfabetização, tanto pais, quanto professores,

devem sempre questionar a criança sobre como poderia melhorar aquilo que fez, procurar fazê-la tomar conhecimento do que fez e como o fez, mas também como deveria fazê-lo.
Numa abordagem neurocientífica Guaresi (2009) enfatiza que:
A criança tem que manipular um repertório de habilidades motoras finas e complexas concomitantes com dados sensoriais (conteúdo visual), um processo que envolve muitas funções cerebrais, tais como atenção, memória, percepção (integração e interpretação de dados sensoriais), entre outras. O processo de aprendizagem da escrita envolve, entre outros aspectos, a integração viso-espacial, ou seja, visualizar o que está sendo apresentado, localizar o lápis, acomodá-lo de forma satisfatória na mão, direcioná-lo ao caderno e iniciar a sequência de movimentos numa tentativa de escrita. Com o tempo e o reforço das redes sinápticas correspondentes, este processo será automático, ou seja, não precisará de monitoramento cerebral constante para execução da tarefa e a criança terá condições de aumentar o nível de complexidade.
Existem três domínios principais que precisam ser ensinados para que uma pessoa tenha autonomia no ato de escrever: o domínio linguístico, o domínio gráfico e o de conceitos de letra e texto. A escrita como um sistema organizado manifesta nossa capacidade de simbolizar. É

complexo e sua aquisição demanda o domínio das várias dimensões que o compõe, por exemplo, além da segmentação, as crianças precisam adquirir no domínio gráfico, noções de esquerda para a direita, de cima para baixo.
Portanto, a neuropsicopedagogia não lida apenas e diretamente com o problema de aprendizagem, mas com todos os processos metacognitivos que fazem com o ser humano venha a ter melhores condições de aprendizagem. Nesse sentido é importante lembrar que os alfabetos expostos em sala de aula, não deveriam ser em E.V.A, pois na maioria das vezes, apresentam somente a letra script maiúscula, sendo que no mundo letrado, não é somente este tipo de escrita que a criança encontra, muito menos deveriam conter formas de “bichinhos, bonequinhos”, pois isto também acarreta em confusão para aquela que se encontra em processo inicial do traçado das letras. Ela precisa visualizar a estética correta da escrita, e se possível que neste alfabeto seja sinalizado por setas indicando por onde começar esta escrita. A mesma sugestão é válida para o traçado de números. No entanto, antes de sistematizar a escrita “no papel”, diversas outras atividades envolvendo o corpo devem estar bem desenvolvidas, pois tudo que sentimos através do nosso corpo, torna-se mais significativo.

Referência Bibliográfica:


BOSSA, Nádia. Dificuldades de Aprendizagem: o que são e como tratá-las. Porto Alegre: ARTMED, 2000.
DEHAENE, Stanislas. Os Neurônios da Leitura: Como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012.
DIAMENT, A. CYPEL,S. Neurologia Infantil, 2005, p. 78
GUARESI, Ronei. Etapas da aquisição da escrita e o papel do hipocampo na consolidação de
elementos declarativos complexos. Letrônica, Porto Alegre v.2, n.1, p. 189, jul. 2009.
LEVIN, Esteban. A Infância em Cena. Petrópolis: Ed. Vozes, 2002-
LIMA, Elvira Souza .Coleção Cotidiano na Sala de Aula. Ed Inter Alia, São Paulo





ESCRITA ESPELHADA

1)    JOGOS E BRINCADEIRAS:


A)   MONTANDO O ROSTO => Tatear (olhos vendados) uma das peças do rosto: olhos, nariz, boca, sobrancelhas e orelhas. Descobrir de qual parte do rosto se trata. Após identificação, obedecendo às coordenadas do parceiro, completar o rosto empregando cada peça no lugar adequado.

   
          

Variação: Montar o corpo ( cada peça no seu lugar)




B) BATATA QUE PASSA-PASSA =>Crianças em círculo, uma de posse de uma bola que passará da direita para a esquerda, enquanto todos cantam:
“Batata que passa-passa
 Batata que vai passar
 Quem ficar com a batata
 “Coitadinha vai dançar”
  Ao término da música, quem ficar com a batata (bola) deverá ficar no centro da roda e dançar...
Obs: Marcar a mão direita das crianças
  A bola poderá passar pelo lado esquerdo, num outro momento. Para tanto marcar a mão esquerda da criança.


      


C) BALÃO NO AR => Tentar manter o balão no ar, batendo nele somente com a mão direita, ou a mão esquerda (marcar a mão da criança com durex colorido): vermelho (mão direita), azul (mão esquerda).

 VARIAÇÃO => Tentar manter dois balões (vermelho e azul) no ar, batendo neles ora com a mão direita, ora com a mão esquerda; direita (balão vermelho), esquerda (balão azul).

   
   


D) ONDE ESTÁ O URSINHO? Vendar os olhos de uma criança. Colocar um ursinho num determinado lugar na sala de aula. Orientar verbalmente a criança para que ela chegue até o ursinho: andar para frente, virar para a esquerda, seguir em frente, um pouco mais para trás.


E) JOÃO PALMADA => Fazer uma roda. Um aluno ficará fora da roda (João palmada). Ao sinal do professor (palmas, apito) ele sai correndo e dá uma leve palmada em um colega que deverá correr pelo lado contrário. Quando se encontrarem o colega deverá cumprimenta-lo: Bom dia, João. Ambos correm para chegar no lugar vago. Quem ficar do lado de fora será o João Palmada.


F) TARTARUGA E COELHO => Duas bolas de cores diferentes.
  Crianças assentadas em uma roda. Uma criança passa as duas bolas (uma para o lado direito e outra para o lado esquerdo), enquanto todos falam: corre, corre tartaruga que o coelho vai ganhar... quem ficar com as duas bolas uma prenda vai pagar . o grupo escolhera a prenda que o colega vai pagar.

          
 

G) PULA-PULA => Colocar uma fita no braço ou perna da criança, sinalizando o lado direito (ou esquerdo). Colocar no chão três colchonetes ou bambolês. A criança ficará posicionada no colchonete ou bambolês no meio. Quando a professora falar: direita, ela deverá pular para a direita, quando a professora falar: meio, ela deverá pular para o meio, quando a professora falar: esquerda, ela deverá pular para a esquerda. O comando da professora deverá começar devagarzinho e ir aumentando a velocidade para transformar num pula-pula.
  (Variação: Mesma atividade utilizando duas crianças, uma em frente da outra .

      

H) SEGURANDO A BOLA: => Uma criança deverá jogar uma bola na parede enquanto recita o texto abaixo, sem deixa-la cair:
   Ordem
   Seu Lugar
   Sem sorrir
   Sem falar...
   Com um pé
   Com o outro
   Com uma das mãos
   Com a outra...
   Bate palmas
   Um, Dois, Três
   Pirueta
   Paraquedas
   Abraço...
Ganha o jogo a criança que fizer tudo sem deixar a bola cair.

                            

I) RECRUTA VALDEMAR => Cada criança confecciona em chapéu e coloca-o na cabeça.
   A professora marca a mão direita da criança dizendo-lhe que a outra é a esquerda

   Todos cantam: Valdemar é um recruta
                            Não sabia nem virar
                            Direita... Valdemar tem
                            Que marchar...
(Repetir a música mudando os movimentos: esquerda, para frente, para trás).


2) MUSICAS E DANÇAS:
 Fazer os movimentos conforme as músicas:
 Dança dos soldadinhos

Alegres soldadinhos, chegaram pra ficar,
No jardim desse castelo, se preparam pra marchar
Um passo pra direita, um passo para trás,
Um passo pra esquerda e volta pro lugar...

Bracinhos para cima, agora espreguiçar,
Bracinhos para frente, se preparam pra dançar
Dança, dança soldadinho requebrando sem parar,
E no embalo dessa dança, todo mundo vai dançar...

Dança, dança soldadinho, com as mãozinhas para o ar,
E no embalo dessa dança, todo mundo vai dançar!

Marchando para frente, parado, sentido,
Marchando para trás e agora descansar...

   
                         
    PEZINHO
Ai bota aqui                                                                    
Ai bota aqui o seu pezinho
O seu pezinho
Bem juntinho com o meu (BIS)
(marcar o pé direito e esquerdo da criança)
E depois não vai dizer
Que você já me esqueceu! (BIS)

           


TURMA DO AQUECIMENTO

Somos a turma do aquecimento,
vamos aquecer neste momento.
Companheiros, alegres, contentes,
pra frente, um braço o outro.
Somos a turma do aquecimento,
vamos aquecer neste momento.
Companheiros, alegres, contentes,
pra frente, um braço o outro,
uma perna a outra.
Somos a turma do aquecimento,
vamos aquecer neste momento.
Companheiros, alegres, contentes,
pra frente, um braço o outro,
uma perna a outra,
a cabeça e todo corpo.
Somos a turma do aquecimento,       
Vamos aquecer neste momento

           


2)    ESCRITA DAS LETRAS E NUMERAIS:

a) Que letra é essa?
=> A professora escreve, com o dedo, uma letra nas costas da criança. Ela deve descobrir qual é.
=> Vendar os olhos da criança. Ela deverá pegar uma letra numa caixa e dizer qual é.
=> Vendar os olhos de uma criança. Passar seu dedo sobre uma letra escrita numa lixa. Ela deverá dizer qual é.


b) Modelagem de letras => Usando argila, massa de modelar, fazer as letras do alfabeto.

c) Esta é minha letra => Fazer a massa de biscoito e cada criança modela a primeira letra do nome. Depois de assar, cada criança apresenta sua letra para os colegas.

d) Calçado das letras e números => Fazer o alfabeto, sinalizando com setas onde começa e termina cada letra, para a criança colocar um papel fino e colar. O mesmo deverá ser feito para os numerais.



e) Cada criança ensina sua letra (no quadro):
                
                    Esta é a minha letra
                    Muito fácil de fazer
                    Você pode com certeza
                    O seu nome aprender

                               














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