Quem sou eu

Minha foto
Brumadinho, MG, Brazil
Ivani Ferreira é professora e blogueira . Possui graduação em Letras pela Faculdade Asa de Brumadinho (2006), Normal Superior pela Universidade Federal de Montes Claros(2005), especialização em Psicopedagogia pela Universidade Federal Castelo Branco (2007), Supervisão Pedagógica pela FINON (2008). Professora efetiva na rede Municipal de Brumadinho desde 2005, porém, atua na rede municipal com turmas da Educação Infantil , Ensino Fundamental 1 e 2 , desde o ano de 2002. Trabalhou como supervisora pedagógica na Escola Municipal Leon Renault- Brumadinho/MG (2013- 2016). Atualmente trabalha como professora da Educação Infantil na EMEI Nair das Graças Prado em Brumadinho/MG. Sejam bem vindos(as)!!!

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Realismo e Naturalismo no Brasil


O REALISMO  E  NATURALISMO

               NO BRASIL


PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS  E AUTORES


·       Machado de Assis

·       Aluísio de Azevedo

·       Raul Pompéia

·       Adolfo Caminha


INTRODUÇÃO

          Este trabalho objetiva-se apresentar uma pesquisa bibliográfica sobre  o Realismo e o Naturalismo no Brasil, bem como as principais características e autores: Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Raul Pompéia e Adolfo Caminha.

         O Realismo reflete as profundas transformações econômicas, políticas, sociais e culturais da segunda metade do século XIX.

          As características do Realismo estão intimamente ligadas ao momento histórico, refletindo, dessa forma, a postura do positivismo, do socialismo e do evolucionismo, com todas suas variantes. Ele é caracterizado pela psicologia, enquanto que o  Naturalismo é científico.

         

REALISMO – NATURALISMO NO  BRASIL


I – CONTEXTO HISTÓRICO


         O Realismo brasileiro teve início em 1881, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, romance realista de Machado de Assis e com a publicação de O Mulato, romance naturalista de Aluísio Azevedo. A partir da segunda metade do século XIX, a sociedade brasileira sofreu grandes transformações. De sociedade agrária, latifundiária,escravocrata e aristocrática passou a ser uma civilização burguesa e urbana. A mão-de-obra escrava aos poucos foi substituída pelos imigrantes europeus assalariados que vinham trabalhar na lavoura cafeeira. A década de 80 corresponde ao período de intensificação da campanha abolicionista que culminou com a Lei Áurea de 1888; ao período da Guerra do Paraguai e ao período da decadência da monarquia e estabelecimento da República. Foi em plena época realista que ocorreu a Fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1897, e um processo que pode ser chamado de oficialização da literatura. O escritor que antes era meio discriminado, marginalizado, começou a ter prestígio e a participar mais ativamente da vida social. O Realismo brasileiro apresentou basicamente as mesmas características do Realismo europeu, apenas com alguns aspectos locais,principalmente na poesia. Ao contrário do que ocorreu em Portugal, no Brasil, não tivemos uma poesia realista significativa. A poesia desse período apresentou características muito específicas, constituindo um novo movimento. Veja os principais autores do Realismo-Naturalismo no Brasil.

     Machado de Assise Raul Pompéia dedicaram-se mais ao romance realista. Mas sobre esse último é importante fazermos uma ressalva, pois graças à diversidade de elementos em sua obra, sua classificação é problemática.

      Aluísio Azevedo foi o grande representante do Naturalismo brasileiro. Para esse autor o homem era fruto dos elementos biológicos(raça) e das circunstâncias do tempo e do meio em que vivia.

      Aluísio Azevedo era um escritor profissional, escrevendo de acordo com o gosto do público leitor da época. Sua obra era bem diversificada, apresentando romances românticos e romances naturalistas. Mas ao contrário de outros escritores que apresentavam fases, Aluísio Azevedo produzia os dois tipos de romance simultaneamente.

Para o público escrevia romances românticos, chamados por ele de

“comerciais e também escrevia os romances naturalistas, chamados de “artísticos”. Aluísio Azevedo foi um grande caricaturista e conta a história que ele possuía um método bem original de escrita. Primeiro ele desenhava as personagens, depois começava a escrever as cenas. Entre seus principais romances destacam-se os naturalistas: Casa de pensão

conta a história de Amâncio Vasconcelos, um jovem maranhense que parte para o Rio de Janeiro para cursar medicina e acaba metido numa série de confusões, principalmente depois que vai morar na pensão de João Coqueiro. Mas seus livros mais importantes são O cortiço e  O mulato, neles encontramos suas principais características: a forte ligação com o determinismo e o romance social, preocupado em retratar as camadas marginalizadas. Em O mulato, Aluísio Azevedo faz uma forte crítica à sociedade corrompida e preconceituosa de São Luís do Maranhão. O livro conta a história do amor proibido de Raimundo e Ana Rosa. Raimundo era um rapaz mulato de pele branca e olhos azuis, filho de um português com uma escrava. Ele foi mandado para Coimbra e depois de formado voltou para o Maranhão para viver na casa do tio, onde se apaixona pela prima Ana Rosa. Todos na cidade sabiam de sua origem bastarda, menos ele. Raimundo só ficou conhecendo toda a verdade quando ao pedir a prima em casamento recebe a recusa do tio:“ ... Uma só palavra boiava à superfície dos seus pensamentos:“Mulato”. E crescia, crescia, transformando-se em tenebrosa nuvem,que escondia todo o seu passado. Ideia parasita, que estrangulava todas as outras ideias. _ Mulato! Esta só palavra explica-lhe agora todos os mesquinhos escrúpulos,que a sociedade do Maranhão usara para com ele”.

Mas é O cortiçoo seu livro mais significativo, considerado o melhor romance naturalista da nossa literatura. Aluísio soube retratar como ninguém a realidade dos agrupamentos humanos:

           Os cortiços são habitações coletivas e foram muito comuns no final do século XIX, habitados principalmente pelos trabalhadores não-qualificados que vinham para as cidades em busca de melhores empregos. Segundo os historiadores, o marido da princesa Isabel foi dono de um dos maiores cortiços brasileiros, onde viviam mais de 4 mil pessoas.

É justamente essa temática a matéria-prima de Aluísio Azevedo,que fala das misérias, dos vícios e da promiscuidade das pessoas que habitavam o cortiço.Entre as personagens principais destacam-se:a negra Bertoleza e João Romão, o dono do cortiço. O livro conta a história de João Romão, um ambicioso comerciante português que busca riqueza e status social. João constrói o cortiço com a ajuda da negra, que por ele foi traída. Mas ao contrário do que muitos pensam, a personagem central do romance de Aluísio Azevedo não é João Romão, mas sim o próprio cortiço. O cortiço é o núcleo gerador de todas as ações do romance.Várias vezes, a começar da cena inicial que mostra o seu despertar, o cortiço é apresentado como se tivesse vida e acompanhasse o desenvolvimento de seu proprietário. A esse processo dá-se o nome de antropomorfismo, processo que consiste na atribuição de características humanas a seres inanimados. Influenciado pelas novas descobertas da biologia e do determinismo, Aluísio Azevedo inova a literatura brasileira, fazendo o processo inverso, reduzindo muitas vezes os seres humano são nível dos animais, é o chamado zoomorfismo. Freqüentemente aparecem aproximações como: Rita Baiana apresentada como uma cadela no cio, Leandra com ancas de animal do campo. Aluísio também inova por ser um dos primeiros autores a tratar do homossexualismo feminino, representado pelas personagens Leoni e Pombinha.

    Raul Pompéia é outro importante autor desse período,entretanto, sua classificação como um autor naturalista é muitocomplicada e reducionista. Em seu romance

O Ateneu, há uma superposição de características de vários movimentos literários e não é possível dizer que há um estilo que  predomina. Durante a leitura encontramos elementos impressionistas, parnasianos, simbolistas,expressionistas e elementos naturalistas, principalmente ao tratar do homossexualismo masculino e da influênciado meio na conduta das pessoas. Em O Ateneu, Raul Pompéia ao contar uma história de um garoto que entra num colégio interno chamado O Ateneu, soma autobiografia e ficção. Não há um enredo linear, o livro, narrado em primeira pessoa, está construído a partir das recordações da personagem Sérgio, já adulto:

“Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai à porta do Ateneu. Coragem para a luta”. Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico,diferente do que se encontra fora, tão diferente (...)”

     Adolfo Caminha, embora com o brilho ofuscado pelos naturalistas Aluísio Azevedo e Raul Pompéia, também escreve nesse período, apresentando uma tendência mais regionalista; seu principal livro é O Bom Crioulo, em que retrata com grande maturidade o homossexualismo entre os marinheiros. Mas, a grande figura do final do século XIX, e talvez a figura literária mais importante do Brasil, foi o inigualável Machado de Assis.

       Machado de Assis abre espaços para as questões psicológicas dos personagens. É a fase em que o autor retrata muito bem as características do realismo literário. Machado de Assis faz uma análise profunda e realista do ser humano, destacando suas vontades, necessidades, defeitos e qualidades.

       Principais  Características: 


  Antes das principais características, é importante conhecer a diferença entre Realismo e Naturalismo.

A obra realista volta-se às relações sociais, observando costumes, relacionamento familiar e amoroso, corrupção das grandes instituições, como o Estado, a Igreja, a família, o casamento etc.

O Naturalismo é também realista, só que representa uma tendência mais voltada ao cientificismo, com aplicação das teorias científicas em voga na época, dando ênfase, nas personagens, ao instintivo e

patológico, ou seja, considerando o homem em sua condição animal. Daí, a produção literária naturalista apresentar o chamado experimental ou romance de tese.


São estas as características gerais:



_ Crítica ao homem e à sociedade;

_ Surgimento do romance social, psicológico e de tese;

_ Narração de fatos partindo da observação;

_ Presença da sexualidade nas obras;

_ Objetivismo: a linguagem deve ser clara e não conter dados subjetivos;

_ Ao contrário dos românticos, autor e obra procuram ser contemporâneos, isto é, não se pode partir da experimentação com algo distante de nós;

_ Racionalismo;

_ Linguagem simples e abundância de descrições para que o leitor possa ter a imagem o mais próxima possível;

_ Apresentação da realidade em preocupações morais;

_ As personagens são, em geral, seres que encontramos no mundo real; aparece a linguagem de baixo calão, os vícios humanos etc.

_ Preferência por enredos que envolvam ambientes sociais em desequilíbrio.



Além dessas, a obra essencialmente naturalista apresenta as seguintes características:



_ Ânsia de explicar tudo cientificamente;

_ Determinismo com relação à atitude das personagens (nenhum tudo depende de sua vontade; pode haver imposição do meio, da

hereditariedade física e psicológica etc.)

_ O homem e os outros elementos da natureza

são vistos como sujeitos às mesmas leis

da evolução; O homem é encarado como produto da raça,

do meio e do ambiente;

_ As personagens são semelhantes entre si, na medida em que apresentam desequilíbrios característicos de sua condição;

_ Preferência por ambientes em que predominem a miséria.





Conhecendo a vida e obra  de:


·       Machado de Assis


          Joaquim Maria Machado de Assis nasceu pobre e epilético. Era filho de Francisco José Machado de Assis e de Leopoldina Machado de Assis, neto de escravos alforriados. Foi criado no morro do Livramento, no Rio de Janeiro. Ajudava a família como podia, não tendo frequentado regularmente a escola.

            Sua instrução veio por conta própria, devido ao interesse que tinha em todos os tipos de leitura. Graças a seu talento e a uma enorme força de vontade, superou todas essas dificuldades e tornou-se em um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

           Entre os seis e os 14 anos, Machado perdeu sua única irmã, a mãe e o pai. Aos 16 anos empregou-se como aprendiz numa tipografia e publicou os primeiros versos no jornal "A Marmota". Em 1860, foi convidado por Quintino Bocaiúva para colaborar no "Diário do Rio de Janeiro". Datam dessa década quase todas as suas comédias teatrais e o livro de poemas "Crisálidas".


           Em 12 de novembro de 1869 casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais. Esse casamento ocorreu contra a vontade da família da moça, uma vez que Machado tinha mais problemas do que fama. Essa união durou cerca de 35 anos e o casal não teve filhos. Carolina contribuiu para o amadurecimento intelectual de Machado, revelando-lhe os clássicos portugueses e vários autores de língua inglesa.

          Na década de 1870, Machado publicou os poemas "Falenas" e "Americanas"; além dos "Contos Fluminenses" e "Histórias da meia-noite". O público e a crítica consagraram seus méritos de escritor. Publicou os romances: "Ressurreição" (1872); "A Mão e a Luva" (1874); "Helena" (1876); "Iaiá Garcia" (1878). Essas obras ainda estão ligadas à literatura romântica e formam a chamada primeira fase de Machado de Assis.

          Em 1873, o escritor foi nomeado primeiro oficial da secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras públicas. A sua carreira burocrática teve uma ascensão muito rápida, uma vez que, em 1892, já era diretor geral do Ministério da Viação. O emprego público garantiu a estabilidade financeira, uma vez que viver de literatura naquela época era quase impossível, mesmo para os bons escritores.

         Na década de 1880, a obra de Machado de Assis sofreu uma verdadeira revolução, em termos de estilo e de conteúdo, inaugurando o Realismo na literatura brasileira. Os romances "Memórias póstumas de Brás Cubas" (1881); "Quincas Borba" (1891); "Dom Casmurro" (1899) e os contos "Papéis avulsos" (1882); "Histórias sem data" (1884), "Várias histórias" (1896) e "Páginas recolhidas" (1899), entre outros, revelam o autor em sua plenitude. O espírito crítico, a grande ironia, o pessimismo e uma profunda reflexão sobre a sociedade brasileira são as suas marcas mais características.

          Em 1897, Machado fundou a Academia Brasileira de Letras, da qual foi o primeiro presidente, pelo que a instituição também conhecida como casa de Machado de Assis. Ocupou a Cadeira N.º 23, de cujo patrono, José de Alencar, foi amigo e admirador.

         Em 1904, a morte de sua mulher foi um duro golpe para o escritor. Depois disso, raramente ele saía de casa e sua saúde foi piorando por causa da epilepsia. Os problemas nervosos e uma gagueira contribuíram ainda mais para o seu isolamento. São dessa época seus últimos romances "Esaú e Jacó" (1904) e "Memorial de Aires" (1908), que fecham o ciclo realista iniciado com "Brás Cubas"

        Machado de Assis morreu em sua casa situada na rua Cosme Velho. Foi decretado luto oficial no Rio de Janeiro e seu enterro, acompanhado por uma multidão, atesta a fama alcançada pelo autor.

         O fato de ter escrito em português, uma língua de poucos leitores, tornou difícil o reconhecimento internacional do autor. A partir do final do século 20, porém, suas obras têm sido traduzidas para o inglês, o francês, o espanhol e o alemão, despertando interesse mundial. De fato, trata-se de um dos grandes nomes do Realismo, que pode se colocar lado a lado ao francês Flaubert ou ao russo Dostoievski, apenas para citar dois dos maiores autores do mesmo período na literatura universal.



·       Aluísio Azevedo



Como um jornalista, Aluísio Azevedo ia aos locais onde pretendia ambientar seus romances, conversava com as pessoas que inspirariam suas personagens, misturava-se a elas. Procurava assim reproduzir o mais fielmente possível a realidade que retratava. Além disso, desenhista habilidoso, às vezes, desenhava suas personagens em papel cartão, recortava-as e as colocava em ação, num teatro para si mesmo, de modo a visualizar as cenas que iria narrar.

         Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo foi um crítico impiedoso da sociedade brasileira e de suas instituições. Abandonou as tendências românticas em que se formara, para tornar-se o criador do naturalismo no Brasil, influenciado por Eça de Queirós e Émile  Zola. Seus temas prediletos, focados na realidade cotidiana, foram o anticlericalismo, a luta contra o preconceito de cor, o adultério, os vícios e a vida do povo humilde.

        Nascido em São Luís, Aluísio viajou para o Rio de Janeiro aos 17 anos a chamado do irmão, o teatrólogo Artur Azevedo. Começou a estudar na Academia Imperial de Belas-Artes e logo passou a colaborar, com caricaturas e poesias, em jornais e revistas.

          A partir da publicação de seu primeiro romance, Uma lágrima de mulher (1880), em estilo romântico e extremamente sentimental, viveu durante 15 anos do que ganhava como escritor. Por isso, sua obra pode ser dividida em duas partes: a primeira, romântica, escrita para agradar o público e vender bem, de modo a garantir-lhe a sobrevivência. A segunda, naturalista, para expressar sua visão de mundo e as mazelas do Brasil. Foi esta que lhe deu destaque na história da literatura brasileira.

         É o caso de O mulato, publicado em 1881, no auge da campanha abolicionista, que provocou um grande escândalo. O autor tentava analisar a posição do mestiço na sociedade maranhense de seu tempo e atacou o preconceito racial. Até 1895 escreveu 19 trabalhos, entre romances e peças teatrais. Continuou colaborando em jornais e revistas, com caricaturas, contos, críticas e novelas. Ele próprio tentou lançar em São Luís um periódico anticlerical intitulado O Pensador, no mesmo ano de publicação de O mulato. A reação hostil da sociedade provinciana e do clero fez com que voltasse definitivamente para o Rio de Janeiro.

       Ao ingressar por concurso na carreira diplomática, em 1895, encerrou a sua história literária. A serviço do Brasil, esteve na Espanha, Japão, Uruguai, Inglaterra, Itália, Paraguai e Argentina, onde morreu.

       Além de O mulato, os romances que o consagraram perante a crítica e o público culto foram: Casa de pensão (1884), inspirado num caso da crônica policial do Rio, que descreve a vida nas pensões chamadas familiares, onde se hospedavam jovens que vinham do interior para estudar na capital; e O cortiço (1890), considerado sua obra-prima, onde narra, em linguagem vigorosa, a vida miserável dos moradores de duas habitações coletiva.

·       Raul Pompéia

Raul D'Ávila Pompéia era filho de Antônio D'Ávila Pompéia e de Rosa Teixeira Pompéia. Foi morar no Rio de Janeiro e estudar no internato do Colégio Abílio, dirigido pelo educador Abílio César Borges, o barão de Macaúbas. Revelou-se bom desenhista e caricaturista, redigindo e ilustrando o jornalzinho "O Archote".

         Em 1879, transferiu-se para o Colégio Pedro 2o, onde se projetou como orador e publicou o seu primeiro livro, "Uma Tragédia no Amazonas" (1880). Foi estudar direito em São Paulo, quando se engajou nas campanhas abolicionista e republicana. Escreveu em jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro, em geral sob o pseudônimo "Rapp", um dos muitos que adotaria: Pompeu Stell, Raul D., Raulino Palma etc.

            Ainda em São Paulo publicou, no "Jornal do Comércio", as "Canções sem metro", poemas em prosa. E ainda, em folhetins da "Gazeta de Notícias", a novela "As Joias da Coroa". Ambos, publicados postumamente, em livros.
Por ter sido reprovado no 3º ano de direito em São Paulo, foi conclur o curso em Recife (PE), mas nunca exerceu a advocacia.

             Voltou para Rio de Janeiro, em 1885, e dedicou-se ao jornalismo, escrevendo crônicas, folhetins, artigos, contos e participando da vida boêmia das rodas intelectuais. Escreveu e publicou "O Ateneu", em formato de folhetim, na "Gazeta de Notícias", mas logo depois, já saiu em formato de livro em 8 de abril de 1888, consagrando-o definitivamente como escritor.

        "O Ateneu" é um romance de cunho autobiográfico, narrado em primeira pessoa, contando o drama do menino Sérgio, que é colocado num internato para estudar e se educar. Mas pelo visto, o menino Pompéia passou mal no internato do barão de Macaúbas, e "se vinga", como diz Mário de Andrade, ao retratar um colégio semelhante sem esconder a dureza do pai, e as maldades dos colegas e do diretor. Culminando com a paixão do menino pela esposa do diretor e na destruição da escola pelo fogo, no romance, é claro.

          Pompéia apresenta fortes características na linguagem, devido a seu talento de caricaturista. Seu vocabulário tem grande riqueza plástica e sonora. A princípio, a crítica o julgou pertencente ao Naturalismo, mas as qualidades artísticas mencionadas demonstram seu compromisso com o Simbolismo.

       Depois da abolição, passou a dedicar-se à campanha republicana. Nesta época, colaborava em "A Rua" e no "Jornal do Commercio". Proclamada a República, em 1889, foi nomeado professor de mitologia da Escola de Belas Artes e, logo a seguir, diretor da Biblioteca Nacional.

           Revelou-se um florianista exaltado, achando que seu militarismo constituía a defesa da pátria, em oposição aos intelectuais do seu grupo, como Pardal Mallet e Olavo Bilac. Com a morte de Floriano, em 1895, foi demitido da direção da Biblioteca Nacional, acusado de desacatar a pessoa do Presidente no explosivo discurso pronunciado em seu enterro.

       Rompido com amigos, caluniado em artigo de Luís Murat, sentindo-se desdenhado e abandonado, inclusive dentro do jornal "A Notícia", que não publicara o artigo de sua colaboração, suicidou-se no dia de Natal de 1895.


·       Adolfo Caminha


                 Adolfo Ferreira Caminha teve uma infância conturbada pela    morte da mãe em 1877 e pela seca que assolou o Nordeste, nesse mesmo ano. Fez os primeiros estudos em Fortaleza (CE) e depois seguiu para o Rio de Janeiro, onde se matriculou na Escola Naval (1883).
             Na Marinha, sentiu o choque da instituição conservadora e monarquista, revelando-se republicano e abolicionista. Numa solenidade em 1884, com apenas 17 anos, fez um discurso na presença do imperador Pedro 2o, e declarou-se "contra o anacronismo da escravidão e do Império". Apesar da declaração, formou-se no ano seguinte como guarda-marinha.
           Por volta de 1886 demonstrou vocação pela literatura, quando publicou os poemas "Vôos Incertos" e os livros de contos "Judite e Lágrimas de um Crente". Durante suas viagens como marinheiro, escreveu as crônicas "No País dos Ianques" (1894).
           Em 1888 pediu transferência para Fortaleza. O Ceará já havia libertado seus escravos quatro anos antes e a vida literária da Capital era ativa, com vários grêmios culturais abolicionistas, republicanos e naturalistas, idéias que agradavam ao jovem escritor.
         Naquela cidade, o já tenente Caminha envolveu-se num caso amoroso que lhe rendeu, inclusive, a saída da Marinha. Apaixonou-se por Isabel Jataí de Paula Barros, que deixou seu marido e foi viver com o marinheiro, escandalizando a sociedade cearense. Mas ele não se rendeu, foi trabalhar na Tesouraria da Fazenda e continuou sua atividade literária. Fundou a "Revista Moderna" (1891) e, em 1892, a "Padaria Espiritual", movimento que acreditava na educação do povo para mudar o país, e publicava o jornal, "O Pão".

            Voltou para o Rio de Janeiro em 1893, já com duas filhas. E para melhorar sua renda, além do emprego no Tesouro Federal, escrevia para jornais. No mesmo ano publicou o romance "A Normalista", crítica
à vida na capital cearense, segundo os moldes naturalistas, que não fez eco entre os críticos. Dois anos depois, publicou "O Bom-Crioulo", livro ousado, de temática homossexual dentro da Marinha. Este é considerado seu melhor livro, visto que o próximo, "Tentação" (1896), é fraco e revela o declínio do Naturalismo. Morreu de tuberculose, no ano seguinte, antes dos 30 anos de idade.


CONCLUSÃO

    Ao final deste trabalho conclui-se,  que O Realismo-Naturalismo é contra o tradicionalismo romântico. Trata-se de uma arte engajada: ela tem compromisso com o seu momento presente e com a observação do mundo objetivo e exato.

    O  realismo  é movido pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas desejavam retratar o homem e a sociedade em sua totalidade. Não bastava mostrar a face sonhadora e idealizada da vida como fizeram os românticos; era preciso mostrar a face nunca antes revelada: a do cotidiano massacrante, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo humano, da impotência do homem comum diante dos poderosos. Uma característica comum ao Realismo é o seu forte poder de crítica, adotando uma objetividade que faltou ao romantismo. Grandes escritores realistas descrevem o que está errado de forma natural.

      Os  romances naturalistas se destacam pela abordagem extremamente aberta do sexo e pelo uso da linguagem falada. O resultado é um diálogo vivo e extraordinariamente verdadeiro, que na época foi considerado até chocante de tão inovador. Ao ler uma obra naturalista, tem-se a impressão de estar lendo uma obra contemporânea, que acabou de ser escrita. Os naturalistas acreditavam que o indivíduo é mero produto da hereditariedade e seu comportamento é fruto do meio em que vive e sobre o qual age.


     No Brasil, a prosa naturalista foi influenciada por Aluísio Azevedo com as obras O mulato e o  cortiço.


Síntese Realismo- Naturalismo





Ø  O Realismo no Brasil teve seu início, oficialmente,em 1881,com a publicação deMemórias Póstumas de Brás Cubas, de seu mais célebre autor,Machado de Assis. Esta escola só entra em declínio com o surgimento do Parnasianismo, por volta de 1890.



Ø  Com a introdução do estilo realista,assim como do naturalista,oromance,no Brasil,ganhou um novo alcance,a observação.Começou-se a escrever buscando a verdade,e não mais para ocupar os ócios dos leitores.



Ø  Machado de Assis,considerado um dos maiores expoentes da literatura brasileira e o maior do Realismo no Brasil,desenvolveem sua ficção uma análise psicológica e universal e sela, portanto, a independência literária do país.





Ø  O Naturalismo é a radicalização do Realismo. (1880) Essa nova escola literária baseava-se na observação fiel da realidade e na experiência, mostrando que o indivíduo é determinado pelo ambiente e pela hereditariedade.



Ø  O Naturalismo esboçou o que podemos declarar como os primeiros passos do pensamento Teórico evolucionista.



Ø  O Naturalismo expandiu-se para outras artes.


Ø  No Brasil, as primeiras obras naturalistas são publicadas em1880, sendo influenciadas pela leitura de Zola. O primeiro romance é O mulato

(1881) do maranhense Aluísio de Azevedo,o escritor que melhor            representa a corrente literária do naturalismo entre nós.


Ø  Características do Realismo


Ø  Objetividade : fidelidade ao real


Ø  Impessoalidade


Ø  Análise Psicossocial do personagem


Ø  Contemporaneidade


Ø  Criticidade : questionamento da burguesia


Ø  Detalhismo Descritivo


Ø  Lentidão Narrativa


Ø  Sensorialismo : Exploração dos sentidos


Ø  Marco Inicial: Memórias Póstumas de Brás Cuba de

Machado de Assis (1881)


Ø  Características do Naturalismo


Ø  Determinismo : personagem condicionado pelos três fatores :raça-meio-momento


Ø  Cientificismo : aplicação do método experimental à literatura.


Ø  O Patológico : destaque às situações e personagens anormais, doentios e desequilibrados, mórbidos.


Ø  Marco Inicial: O Mulato de Aluísio de Azevedo (1881)


Ø   


Diferenças: Realismo


Ø  Forte influência da literatura de Gustave Flaubert (França).

Ø  Romance documental, apoiado na observação e na análise.

Ø  A investigação da sociedade e dos caracteres individuais é feita“de dentro para fora”, por meio de análise psicológica capaz de abranger sua complexidade, utilizando a ironia, que sugere e aponta, em vez de afirmar.

Ø  Volta-se para a psicologia, centrando-se mais no indivíduo.

Ø  As obras retratam e criticam as classes dominantes, a alta burguesia urbana e, normalmente, os personagens pertencem aesta classe social.

Ø  O tratamento imparcial e objetivo dos temas garante ao leitor um espaço de interpretação, de elaboração de suas próprias conclusões a respeito das obras.

Ø   


Diferenças: Naturalismo


Ø  Forte influência da literatura de Émile Zola (França).

Ø  Romance experimental, apoiado na experimentação e observação científica.

Ø  A investigação da sociedade e dos caracteres individuais ocorre“de fora para dentro”, os personagens tendem a se simplificar,pois são vistos como joguetes, pacientes dos fatores biológicos,históricos e sociais que determinam suas ações, pensamentos e sentimento.

Ø  Volta-se para a biologia e a patologia, centrando-se mais no social.


Ø  As obras retratam as camadas inferiores, o proletariado, os marginalizados e, normalmente, os personagens são oriundos dessas classes sociais mais baixas.

Ø  O tratamento dos temas com base em uma visão determinista conduz e direciona as conclusões do leitor e empobrece literariamente os textos.


Ø  O Realismo no Brasil tem como marco inicial a obra Memórias póstumas de Brás Cubas(1881), de Machado de Assis.

4 comentários:

  1. Excelente trabalho, me ajudou muito com a escola.

    ResponderExcluir
  2. ELISABETE BEZERRA DOS SANTOS16 de outubro de 2016 22:19

    SEU TRABALHO CONTRIBUIU MUITO EM MINHA PESQUISA. FAÇO LETRAS- UFAL

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom Elizabete. Esse trabalho foi feito pelo meu filho.

      Excluir
  3. Melhor trabalho 😍

    ResponderExcluir