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Mineira,professora graduada em Normal Superior e Letras,posgraduada em psicopedagogia e supervisão escolar. Atualmente estou atuando como supervisora pedagógica , do maternal 3 ao 5º ano. Sejam bem vindos(as)!!!

domingo, 20 de março de 2011

Artigo sobre avaliação escolar

AVALIAÇÃO NA ESCOLA: PARADIGMAS, CONCEPÇÕES E CONFLITOS
Ivani da Silva Ferreira


RESUMO
O presente artigo busca analisar e refletir sobre as formas através dos quais a avaliação vem sendo usada nas escolas e com isso buscar novos elementos para a compreensão da maneira correta de usar a avaliação. Este instrumento foi elaborado a partir de uma pesquisa bibliográfica e o problema a ser pesquisado foi definido considerando-se a perspectiva construtivista e o como avaliar nesta vertente. Os educadores têm necessidade de se assegurar sobre posturas avaliativas no contexto educacional em que estão inseridos para que o aluno seja respeitado e encaminhamentos eficazes sejam adotadas . A avaliação deve estar voltada para a reflexão e não punição. A escola é lugar de aprender, e aprender inclui errar. Tratar essas informações no processo avaliativo significa ler, analisar e utilizar os resultados obtidos durante e ao final do processo. Assim, a avaliação deve transformar-se em momentos constantes de compreensão das dificuldades dos alunos e no oferecimento de novas oportunidades de aquisição de conhecimento. Seus resultados devem servir para orientação da aprendizagem, cumprindo uma função eminentemente educacional.

Palavras-chave: Concepção. Formas. Instrumentos

Introdução

A avaliação é uma tarefa didática necessária e permanente do trabalho docente, que deve acompanhar passo a passo o processo de ensino aprendizagem. Através dela, os resultados que vão sendo obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos são comparados com os objetivos propostos, a fim de constatar progressos, dificuldades e reorientar o trabalho para correções necessárias.
Segundo Luckesi, “a avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensino-aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisões sobre o seu trabalho”.
Sousa (1993) destaca
como finalidade principal da avaliação o fornecer sobre o processo pedagógico informações que permitam aos agentes escolares decidir sobre intervenções e redirecionamentos que se fizerem necessários em face do projeto educativo definido coletivamente e comprometido com a garantia de aprendizagem do aluno. (p. 46)
Para Gadotti (1990) “a avaliação é essencial à educação, inerente e indissociável enquanto concebida como problematização, questionamento, reflexão sobre a ação”.
Assim, a avaliação da aprendizagem só pode acontecer se for relacionada com as oportunidades oferecidas, ou seja, analisando a adequação das situações didáticas propostas aos conhecimentos prévios dos alunos e aos desafios que estão em condições de enfrentar.
A atividade de avaliação exige critérios claros que orientem a leitura dos aspectos a serem avaliados. É preciso contar com instrumentos diversificados, de forma que constate diferentes habilidades dos alunos. Somente assim, o professor terá elementos para identificar os diferentes níveis de entendimento de seus alunos acerca de determinado conteúdo e planejar ações que permitam aos alunos avançar nesses níveis.

Desenvolvimento


A avaliação orienta o professor com elementos para uma reflexão contínua sobre sua prática. Para o aluno é o instrumento de tomada de consciência de suas conquistas e dificuldades. Para a escola, torna possível definir prioridades e localizar quais aspectos das ações educacionais demandam maior apoio.
A avaliação deve envolver momentos de diagnóstico e de acompanhamento do processo educativo, o que permite conhecer a realidade para a qual se formula um projeto pedagógico e realizar os ajustes necessários ao seu sucesso.
Para Luckesi (1998),
a avaliação deve ser um instrumento auxiliar de aprendizagem e não um instrumento de aprovação ou reprovação “aluno”. A avaliação deve ajudar tanto o professor como o aluno a se auto avaliarem em conjunto, encontrarem um forma de prosseguir no processo, redirecionando quando necessário a caminhada. (p. 98)
Segundo Castro, “a avaliação não deve ser vista como uma caça aos incompetentes, mas como uma busca de excelência pela organização escolar como um todo”.
A avaliação instrumentalizará o professor para que possa por em prática seu planejamento de forma adequada às características de seus alunos. Neste momento o professor terá conhecimento sobre o que o aluno domina sobre determinados conteúdos e reestruturar o programa para sanar suas dificuldades. Somente assim, o professor terá informações necessárias para propor atividades e gerar novos conhecimentos.
A LDB, ao citar a avaliação escolar, determina que:

sejam observados os critérios de avaliação contínua e cumulativa da atuação do educando, com prioridade dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais (Art. 24, V-a).

A avaliação deve ser entendida como instrumento para o desenvolvimento das atividades didáticas e requer que ela seja interpretada como um momento de observação de um processo dinâmico e não linear de construção do conhecimento.
Para Caldeira (2000):

A avaliação escolar é um meio e não um fim em si mesmo; está delimitada por uma determinada teoria e por uma determinada prática pedagógica. Ela não ocorre num vazio conceitual, mas está dimensionada por um modelo teórico de sociedade, de homem, de educação e, conseqüentemente, de ensino e de aprendizagem, expresso na teoria e na prática pedagógica. (p. 122)

A avaliação é concebida como elemento integrador entre a aprendizagem e o ensino e deverá ser um conjunto de ações que tenha como objetivo o ajuste e a intervenção pedagógica, como diz Freire (1997), “a avaliação não é o ato pelo qual A avalia B, mas o processo pelo qual A e B avaliam juntos, uma prática, seu desenvolvimento, os obstáculos encontrados ou os erros e equívocos porventura cometidos”.
Luckesi (2000), afirma que
a avaliação da aprendizagem escolar auxilia o educador e o educando na sua viagem comum de crescimento, e a escola na sua responsabilidade social. Educador e educando, aliados, constroem a aprendizagem na escola, e de aqui à sociedade (p.171).
Definir finalidades, metas e processos para a totalidade da ação educativa escolar envolve reconceituar a avaliação para além de sua especificidade. O trabalho do professor deve compreender dimensões mais amplas que extrapolam os limites dos conteúdos transmitidos aos alunos
Nesse sentido, não basta apenas aplicar provas e atribuir notas ou conceitos, é preciso analisar as respostas dadas pelos alunos. Esse procedimento, se realizado em conjunto com os educandos, possibilita não apenas o diálogo sobre erros e dificuldades de aprendizagem, mas a reflexão sobre os processos percorridos pelo aluno na construção do conhecimento. Avaliar a aprendizagem implica avaliar o ensino oferecido.
Moretto (2002) coloca que,
é necessário que o professor conheça as características do grupo como um todo, o desenvolvimento cognitivo, psicológico e social e, a partir daí, organize condições adequadas para a aprendizagem, redirecionando o planejamento, dentro de seus aspectos de flexibilidade, e suas estratégias de ensino, pois aprender é construir significados e ensinar é oportunizar esta construção (p.58).
Assim, a avaliação terá a função diagnóstica, pois possibilitará ao professor novas ações e ajustes no seu planejamento, no qual serão respeitados os limites e as especificidades dos alunos.
Como a avaliação acontecerá de forma sistematicamente durante as atividades de ensino e aprendizagem, é necessário que a perspectiva de cada momento da avaliação seja definida claramente. No momento da avaliação, é preciso ter em mente um ou mais parâmetros que servirá de medida para apreciar o que está sendo avaliado. Para tanto, é fundamental definir critérios onde caberá ao professor listar os itens realmente importantes, e informá-los aos alunos, pois a avaliação só tem sentido quando é contínua, provocando o desenvolvimento do educando.

Conclusão
Quando se trata de avaliar a aprendizagem, ainda são freqüentes alguns equívocos, especialmente acerca dos aspectos qualitativos e quantitativos da avaliação. A avaliação tem um significado amplo, à medida que oportuniza a todos os envolvidos no processo educativo momentos de reflexão sobre a própria prática.
Cabe ao educador uma reflexão permanente sobre a sua realidade, um acompanhamento contínuo do educando, na trajetória da construção do conhecimento. O ato de avaliar exige cuidados metodológicos científicos. No caso de ações planejadas, a avaliação também necessita de ser cientificamente planejada e executada com o mesmo rigor.
O processo avaliativo deve, além dos resultados sobre a aprendizagem dos alunos, possibilitar que o professor verifique se os objetivos propostos no planejamento estão sendo atingidos. Cabe ao professor despertar nos alunos a paixão pelo conhecimento, pelo aprendizado, para que gere prazer. Esse prazer deve ser um elemento presente constantemente nas salas de aula e que a motivação deve estar no aprendizado e não no medo que se caracteriza na prática de uma avaliação autoritária.
Para que a avaliação educacional escolar assuma o seu verdadeiro papel, terá que estar a serviço de uma pedagogia que esteja preocupada com a transformação social. O professor deverá rever sua prática, pois ela não é neutra. Para que isso ocorra é necessário assumir um posicionamento pedagógico claro e explícito, para que possa orientar o planejamento, a execução e a avaliação da aprendizagem.
A avaliação deve acompanhar o percurso e sinalizar novos caminhos, não mais ser vista como “arma” que minimiza o progresso e elimina a autenticidade dos envolvidos. Todo processo de avaliação deverá encaminhar o aluno por trilhas seguras, onde mesmo “errando” poderá perceber que é capaz de acrescentar, amadurecer e acertar. A avaliação deve ter como finalidade a orientação da aprendizagem, a autonomia dos aprendizes em relação à mesma e a verificação das competências adquiridas.

REFERÊNCIAS

BENVENUTTI, D. B. Avaliação, sua história e seus paradigmas educativos. Pedagogia: a Revista do Curso. Brasileira de Contabilidade. São Miguel do Oeste – SC: ano 1, n.01, p.47-51, jan.2002.
BRASIL. Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. LEI No. 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
CALDEIRA, Anna M. Salgueiro. Avaliação e processo de ensino aprendizagem. Presença Pedagógica, Belo Horizonte, v. 3, p. 53-61, set./out.1997.

CASTRO, A. D. & CARVALHO, A.M.P. Ensinar a Ensinar: Didática para a Escola Fundamental e Média. São Paulo: Pioneira Thonison Learning LTDA, 2001. Cap. 9.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.

GADOTTI, Moacir. Educação e Poder - Introdução à Pedagogia do Conflito. 8ª Ed. São Paulo: Cortez, 1988.

LUCKEZI, CIPRIANO G. Avaliação da Aprendizagem Escolar. SP. Cortez, 1.995.
MORETTO, Vasco Pedro. Prova – um momento privilegiado de estudo – não um acerto de contas. 3 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
PERRENOUD, p. Não mexam na minha avaliação. In: ESTRELA, A., NÓVOA, A. Avaliações em Educação: novas perspectivas. Porto (Portugal) Porto Editora, 1999.

SOUSA, Sandra M. Z. L. Avaliação da aprendizagem: ênfase nas presentes pesquisas no Brasil de 1930 a 1980. Cadernos de Pesquisa, São Paulo: Fundação Carlos Chagas, n. 94, p. 46, 1995.

6 comentários:

  1. Bom material. Pelo jeito, parece bem interessada na formação dessas crianças. Que tal visitar este espaço: http://biblioteka.hd1.com.br (gratuito). Lá estamos postando diversos materiais em áudio, inclusive, mais de 120histórias infantis.
    Fique à vontade para comentar.
    Abraço,
    Prof. Heraldo Meirelles

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  2. Parabéns gostei muito desse artigo, precisamos de pessoas que estejam realmente comprometidas com a educação. Percebo que você é uma delas e que sinceramente ama o que faz.

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  3. Texto bom, com bons fundamentos, vamos aproveitá-lo para uma prática em sala de aula, no trabalho de conclusão de um curso universitário.
    Obrigada!
    Maristela Vidaletti Silva

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  4. bom texto, vou aproveitar sendo Docente que sou. obrigado gente adorei.

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  5. Estou aproveitando muito do seu blog.
    Parabéns e muito obrigada.

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